quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Uma Aventura na Serra da Estrela

Uma Aventura na Serra da Estrela, de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada
Ilustrações de Arlindo Fagundes
Editorial CaminhoColecção «Uma Aventura», n.º 32; 168 pp.; Preço: 4,90
Recomendado pelo Plano Nacional de Leitura

Resumo/apresentação:Quem diz serra da Estrela diz neve. E casas vazias de telhado em bico com sótãos a abarrotar de velharias misteriosas, salões enormes com lareira, quadros antigos com figuras impressionantes que à luz da chama parecem vivas. Também se pensa logo em alcateias, lobos e outros animais selvagens circulando em liberdade por recantos que só eles conhecem. Tantas emoções deram volta à cabeça do Pedro, que se apaixonou perdidamente não por uma rapariga de carne e osso mas por um retrato, o retrato de uma linda mulher de outros tempos com cabelos loiros e fama de aparecer lá em casa de sete em sete anos. Essa paixão louca precipita o grupo numa aventura igualmente louca.

Excerto do livro:
«— Estão contentes? Pois então agradeçam-me que vou trabalhar para que a vossa felicidade seja completa. Encaminhou-se para a porta com ares misteriosos, enfiou o gorro, as luvas, e já ia de saída quando lhe berraram: — Chico! Onde é que vais? — Vou ao carro. Lembram-se do que está guardado na parte de trás? Queijo!! Vou buscar queijo para a nossa ceia. — Sozinho? Nem pensar! — Espera aí... Ele fez orelhas moucas e saiu mesmo, batendo com a porta. Demasiado moles para irem a correr atrás, limitaram-se a observá-lo da janela. A noite estava realmente escura. A única coisa que viam era a luz da lanterna tremeluzindo suspensa no ar. — É completamente louco — disseram. Mas na verdade o que sentiam era orgulho por terem um amigo tão corajoso. Chico calculava que o estivessem a observar. Ainda que não conseguissem vê-lo à distância, imaginavam-no a abrir caminho na neve com a maior energia e sem medo nenhum. Contente consigo próprio, inspirou fundo, deliciando-se com o ar frio que lhe encheu os pulmões. Nunca confessaria em voz alta que adorava vestir a pele do herói. Quanto muito podia admitir. "Sou um aventureiro!" Não faltava aventura no percurso. Embora as pegadas que tinha deixado lhe servissem de orientação, estava sozinho no meio do campo, a neve dificultava os movimentos e podiam surgir mil perigos que desconhecia e para os quais não tinha defesa. Paradoxalmente, quanto mais pensava no perigo, mais excitado ficava. Ao avistar o carro, receou que a caminhada tivesse sido em vão. "Se as portas estiverem fechadas à chave, nada feito..." Por sorte, no atabalhoamento da saída, o motorista não se lembrara de trancar a carrinha. Chico pôde portanto revolver a bagagem sem qualquer problema. E abençoou a hora em que saíra de casa. Tinha ali provisões excelentes. Encheu dois sacos até acima e retomou a marcha a assobiar de contente. Que rica surpresa ia fazer aos companheiros! Nesse momento um uivo prolongado cortou a noite. "Aúúúú"! — Lobos! — murmurou petrificado de pavor. — Lobos! O uivo inconfundível repetia-se: "Aúúúú!Aúúúú!" Estando a meio do caminho, tinha que decidir depressa se ia tentar atingir o carro ou a casa. Muito quieto, fechou os olhos e apurou o ouvido para perceber de que lado vinha o som. Inútl. Ou havia muitos lobos ou o som fazia eco...»
(in Uma Aventura na Serra da Estrela, pp. 34-35)

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