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terça-feira, 24 de maio de 2011

"Avô conta outra vez", de José Jorge Letria e André Letria, premiado no Brasil


Com um formato extenso e ilustrações que ocupam páginas duplas e destacam elementos centrais do texto, este álbum nasce dos laços afectivos entre um avô e um neto. Em quadras rimadas e num discurso fortemente metafórico e, até, simbólico, surgem poetizadas as vivências entre um avô, que é um contador de histórias e um companheiro de brincadeiras, por exemplo, e um neto, que cresce de dia para dia.

O livro para a infância "Avô, conta outra vez", com rimas de José Jorge Letria ilustradas por André Letria, foi eleito no Brasil o melhor em língua portuguesa para os mais novos. Todos os anos a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil do Brasil atribui prémios aos melhores livros para a infância e juventude em diversas categorias (melhor livro de poesia, informativo, livro-brinquedo, melhor tradução, entre outros).
"Avô, conta outra vez", editado no Brasil em 2010 pela editora Peirópolis, foi eleito o melhor livro infantil em língua portuguesa, revelou a fundação.
Este livro está disponível na nossa biblioteca. É uma honra para nós este reconhecimento, além-fronteiras, da literatura portuguesa.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Fernando Pessoa terá recebido dinheiro como astrólogo




A faceta de astrólogo do poeta Fernando Pessoa que chegou a auferir «alguns tostões com a astrologia» , é revelada com a edição por Paulo Cardoso de um livro com vários documentos do espólio pessoano.
Intitulado Fernando Pessoa - Cartas Astrológicas, o livro reúne «algumas dezenas das mais reveladoras cartas astrológicas erigidas por Pessoa», escreve o astrólogo Paulo Cardoso.
Jerónimo Pizarro, catedrático nas universidades de Lisboa e de Los Andes (Colômbia) que prefacia a obra, afirmou à Lusa que esta obra «abre novas pistas de investigação, e demonstra como a teoria dos heterónimos é influenciada pela astrologia».
O autor de Mensagem fez a sua carta astrológica e as dos seus heterónimos Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis. «Todos os horóscopos dos heterónimos apresentam Mercúrio (o planeta da literatura)» que é também o planeta regente do signo Gémeos a que pertencia Fernando Pessoa, escreve Paulo Cardoso.
O astrólogo realça que os «signos ascendentes» dos horóscopos dos quatro poetas são Água (Pessoa), Fogo (Caeiro), Terra (Campos) e Ar (Reis), ou seja «a família heteronímica detinha a plenitude dos princípios fundamentais da filosofia ancestral».
Em 1915 Fernando Pessoa inventou um astrólogo, Raphael Baldaya e estabeleceu uma tabela de honorários que variavam entre os 500 e os 5000 réis.
Pizarro disse à Lusa que Pessoa «ganhou alguns tostões com a astrologia» e há muitos cartões no espólio guardado na Biblioteca Nacional com indicações de nome, data e hora de nascimento que leva a supor que Pessoa traçava as respectivas cartas astrológicas.
O poeta traçou mapas astrais de mais de 1500 personagens históricas ou contemporâneas. Robespierre, Guilherme II da Alemanha, D. Carlos de Portugal, D. Sebastião, Lord Byron, Sidónio Pais, Oliveira Salazar, Mussolini, Chopin, Leopoldo II dos belgas, Victor Hugo, Luís II da Baviera, Afonso XIII de Espanha, Vítor Emanuel III de Itália e William Shakespeare foram algumas das personalidades sobre as quais desenhou o respectivo mapa astrológico.
De algumas personalidades fez mais de uma vez em alturas diferentes a respectiva carta astrológica, casos de Napoleão, da Rainha D. Amélia, do escritor Raul Leal, ou do escritor Óscar Wilde. Segundo Cardoso, Pessoa «comentou parecenças entre o caso astrológico de Wilde e o seu próprio caso».
Pizarro referiu à Lusa que Fernando Pessoa «chegou a calcular com grande proximidade o seu ano de morte» (1935), algo que mereceu diversas reflexões do poeta.
Cardoso assinala que «a abordagem pessoana da astrologia foi sempre a mais prudente, crítica e metódica». O astrólogo acrescenta que "a astrologia fez parte do quotidiano do escritor que lidava com ela de manhã, à tarde e pela noite dentro".
«Este foi um interesse que Pessoa manteve até à sua morte», sublinhou Pizarro.
Além da prática Fernando Pessoa também teorizou sobre a astrologia, salientou á Lusa Pizarro. Pessoa atribui por exemplo, a Baldaya as obras Systema de Astrologia e Introd[ução] ao estudo do ocultismo.
Pizarro afirmou que Fernando Pessoa - Cartas astrológicas, com a chancela da Bertrand Editora, «permite criar um clima necessário para os livros que ainda faltam de Pessoa sobre a astrologia, bem como e como as Ciências Ocultas, o Esoterismo e a Filosofia que são coisas muitos presentes no [movimento literário e artístico] do Modernismo».
A obra foi apresentada hoje na Casa Fernando Pessoa, em Campo de Ourique, por José Blanco.
Lusa/SOL

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Prémio da Latinidade 2011 atribuído a Lídia Jorge




A escritora Lídia Jorge foi distinguida, por unanimidade, com o Prémio da Latinidade “João Neves da Fontoura” 2011, revelou à agência Lusa fonte da União Latina, entidade responsável pelo galardão.


Presidido pelo ensaísta Eduardo Lourenço, o júri da edição do galardão deste ano decidiu atribuí-lo a Lídia Jorge “pela consagração da sua obra como escritora que muito tem contribuído para o enriquecimento do património cultural e literário do Portugal contemporâneo”. Com este Prémio criado em 2002, a União Latina visa homenagear uma personalidade ou instituição que se tenha distinguido, pela sua obra, na difusão da Latinidade, nos domínios artístico, literário ou científico

sexta-feira, 6 de maio de 2011

José Eduardo Agualusa



José Eduardo Agualusa [Alves da Cunha] nasceu no Huambo, Angola, em 1960. Estudou Silvicultura e Agronomia em Lisboa, Portugal. Os seus livros estão traduzidos para mais de vinte idiomas. Também escreveu várias peças de teatro: "Geração W", "Aquela Mulher", "Chovem amores na Rua do Matador" e "A Caixa Preta", estas duas últimas juntamente com Mia Couto.
Beneficiou de três bolsas de criação literária: a primeira, concedida pelo Centro Nacional de Cultura em 1997 para escrever «
Nação crioula », a segunda em 2000, concedida pela Fundação Oriente, que lhe permitiu visitar Goa durante 3 meses e na sequência da qual escreveu « Um estranho em Goa » e a terceira em 2001, concedida pela instituição alemã Deutscher Akademischer Austauschdienst. Graças a esta bolsa viveu um ano em Berlim, e foi lá que escreveu « O Ano em que Zumbi Tomou o Rio ». No início de 2009 a convite da Fundação Holandesa para a Literatura, passou dois meses em Amsterdam na Residência para Escritores, onde acabou de escrever o romance, « Barroco tropical ».
Escreve crónicas para a revista LER. Realiza para a RDP África "A hora das Cigarras", um programa de música e textos africanos. É membro da União dos Escritores Angolanos.
Em 2006 lançou, juntamente com Conceição Lopes e Fatima Otero, a editora brasileira
Língua Geral, dedicada exclusivamente a autores de língua portuguesa.


Um (fantástico) conto integral de Agualusa:

Foi por uma noite de nuvens baixas: por uma dessas noites tão desprovidas de luz que a brisa parece feita de musgo e o próprio ar de limos e de lodo. Roberto Santa-Maria, escriturário natural de Ambaca, vinha de visitar a noiva nos penedos de Pungo Andongo, quando de repente sentiu o chão dissolver-se debaixo de si e caiu, caiu, caiu, ininterruptamente e longamente, numa queda que parecia não ter fim. Acordou embrulhado em espessas teias de aranha e logo ali percebeu que lhes devia a vida visto que fora caindo por entre elas como quem desliza entre cortinas de seda e chegara assim ao chão mais leve que um breve pássaro. Durante as primeiras horas acreditou haver caído no inferno, não só devido à profundidade do lugar, mas sobretudo por causa do insuportável cheiro a carne podre. Preso de um infinito horror tacteou em volta mas não encontrou nada a não ser húmidas paredes de terra e formas móveis de pequenos insetos. Compreendeu depois que caíra sobre um ninho de formigas-cadáver e teve então a certeza de que já estava morto pois mesmo que alguma vez saísse dali nunca mais aquele cheiro se lhe desentranharia do corpo.
Sete semanas mais tarde, Afonso-o-Caçador passou pelo local acompanhado por uma vintena de serviçais e igual número de cães e deu com o improvável buraco no chão. Curioso, ajoelhou-se sobre ele e gritou para dentro, tentando avaliar pelo eco a profundidade do poço. O grito rolou pelas paredes e despenhou-se, desmedido e múltiplo, dentro da cabeça de Roberto Santa-Maria, como uma trovoada no interior de uma catedral. O ambaquista demorou a levantar-se e a gritar também, fraco como estava de andar há cinquenta e um dias a sorver apenas a humidade das pedras e a comer aranhas e formigas-cadáver. Afonso estranhou o eco, em particular porque lhe chegaram dois, e o segundo era triste e descorado como uma lombriga da terra. Gritou de novo e dessa vez o grito-lombriga chegou antes do seu.
— Sucuama! — Espantou-se o caçador —, está um homem lá dentro…
E logo mandou que lhe fossem procurar uma corda para libertar o infeliz. Veio a corda e com ela muito gentio das redondezas, alarmado pela notícia de que Afonso pretendia extrair um homem de dentro de um buraco.
Lançada a corda para dentro do poço, Santa-Maria agarrou-se a ela e os serviçais começaram a puxar, trabalho facilitado pelo pouco peso do desditoso escriturário. Já tinham puxado muitos metros de corda e ainda faltavam puxar outros tantos quando principiou a ascender do buraco um bafo pútrido a pauis antigos e em breve o ar estava tão insalubre que parecia que tinham morto ali mil dinossauros.
Roberto Santa-Maria assomou à luz e ninguém o reconheceu, pois trazia a pele inteiramente recoberta por um veludo verde e os cogumelos brotavam-lhe dos cabelos como se fossem pequenas serpentes em posição de ataque. Houve primeiro um estático segundo de assombro e depois a multidão virou-se para trás e começou a fugir, os mais novos atropelando os mais velhos e estes uns aos outros num irreprimível furor de manada enlouquecida.
Menor não foi o susto de Roberto Santa-Maria ao ver toda a gente a fugir de si. Depois, mais calmo, sacudiu os cogumelos dos cabelos mas foi incapaz de se limpar dos fungos que lhe cobriam a pele. Desalentado pôs-se a caminhar em direção ao norte, murmurando pragas contra a sua sorte maldita. Diante dele caminhava o cheiro: um fedor inconcebível a cidades destroçadas, silencioso e triste como um amor sem esperança. De maneira que antes mesmo do escrivão atingir as cercanias de Ambaca, já uma brisa carregada de presságios e de melancolia afugentara o povo, os bois, as aves e até os bichos silvestres. Roberto Santa-Maria encontrou à sua frente só sanzalas sem vida e foi-as atravessando uma por uma, dentro de um silêncio tão intenso que o respirar das árvores se tornara audível. Ao declinar a tarde encontrou um velho a quem o excesso dos anos enovelara a tal ponto o quebrantado corpo que nele se não distinguia extremidade alguma, quase se confundindo com turva pedra ou chamuscado pedaço de madeira. O velho viu-o aproximar-se com os olhos abertos de estupor e assim se manteve até que Roberto lhe tocou com a ponta dos dedos. Então desdobrou-se como um bicho-de-conta e largou a correr, numa gritaria capaz de despertar os anjos no regaço do Senhor.
Foi este o primeiro milagre de Santa-Maria.
Mais depressa do que o vento se espalhou a novidade da cura e logo no dia seguinte um grupo de aflitos seguiu o caminho inverso do desgraçado cheiro que para sempre se colara ao escrivão e encontrou-o desesperado e pensativo junto ao buraco de onde, acreditava agora, nunca deveria ter saído. Vendo-os chegar julgou Roberto que os traziam propósitos assassinos e de um pulo lançou-se dentro do poço.
A partir desse dia o lugar passou a receber a visita de grande número de peregrinos, trazidos de longe pelo rumor dos milagres que ali se produziam. Vinham escutar a voz do buraco e respirar o ar apodrecido que dele se desprendia e que segundo a crença popular tinha a virtude de curar as mais insólitas malformações do corpo humano.
in A Feira dos assombrados e outras estórias verdadeiras e inverosímeis

segunda-feira, 4 de abril de 2011

João Pedro Mésseder

O 7º D, no âmbito da atividade "Uma vida d'escrita", elaborou uma exposição na Biblioteca escolar dedicada a João Pedro Mésseder, escritor que, ainda há bem pouco tempo, no dia 25 de março, esteve no nosso Agrupamento. Aqui está ele a falar para os nossos alunos, no Centro Escolar.

Alguns livros do autor.
Sinopse do livro Romance do 25 de Abril:

E se um menino se chamasse Portugal? Ou então: pode o Portugal do antes do 25 de Abril ser comparado a um menino?Ora por que não?Ouçam pois a sua história: como cresceu e sofreu e lutou até, já adulto, ver realizado um sonho.E que sonho foi esse? O da liberdade, é claro. Mas imaginou também uma democracia e uma justiça que julgou possíveis no seu país à beira-mar.Esse país onde hoje o mesmo menino, homem feito agora, continua atento a sonhar com um mundo melhor. (In www.fnac.pt)

quarta-feira, 30 de março de 2011

João Pedro Mésseder e Manuela São Simão nas nossas escolas

No passado dia 25, sexta feira, o escritor João Pedro Mésseder e a ilustradora Manuela São Simão estiveram no nosso Agrupamento, nos dois núcleos, no âmbito da Semana da Leitura. Conversaram com alunos dos 2º e 3º ciclos e, para terminar a visita, a ilustradora desenvolveu uma atividade prática com as crianças que resultou em alguns trabalhos muito interessantes. Aqui ficam algumas fotografias:


















segunda-feira, 21 de março de 2011

João Pedro Mésseder vem ao nosso Agrupamento

No próximo dia 25, sexta-feira, João Pedro Mésseder vem ao nosso Agrupamento para fazer uma palestra aos alunos do 1º e do 2º ciclos. Aguarda-se a sua vinda com expectativa!
BIOGRAFIA

JOSÉ ANTÓNIO GOMES - 1957- ...

OBRA


João Pedro Mésseder nasceu em 1957, no Porto, e aí completou os estudos universitários, tendo-se licenciado em Línguas e Literaturas (estudos ingleses e alemães). Lecciona Literatura Infantil aos futuros professores, na Escola Superior de Educação do Porto. Poeta e contista, ensaísta e romancista, colabora em diversas iniciativas promovidas por várias escolas e instituições com conferências e palestras no âmbito de semanas da leitura e literárias dinamizadas por Bibliotecas Escolares e organizadas pelo Plano Nacional de Leitura, em parceria com a Gulbenkian e em colaboração com os Ministérios da Educação e da Cultura. Apresentou dissertação de Mestrado (1992) e de Doutoramento (2002) em Literatura Infantil, na Universidade Nova de Lisboa, subordinadas, respectivamente, aos temas: “A Poesia na Literatura para a Infância”, publicada em livro em 1993 (Porto, Asa); “Espelhos e Sombras: Representações do Eu em Luísa Dacosta”. Recebeu o Prémio Literário Maria Amália Vaz de Carvalho, 1999, da Câmara Municipal de Loures, pelo livro Fissura (Caminho, 2000).

Nota: por entre um caleidoscópio de escritas e sob o prisma de actividades pedagógicas e culturais múltiplas, o autor aceitou o convite da Biblioteca Escolar/Centro de Recursos Educativos do Agrupamento de Escolas de Ribeira de Pena “Encontro com João Pedro Mésseder”, em 25 de março de 2011, integrado na “Semana da Leitura”, iniciativa dinamizada no âmbito do Plano Nacional de Leitura.. João Pedro Mésseder é “nome literário” (designação do próprio autor) de José António Gomes.

Publicações para crianças e jovens: Ordem Alfabética; Versos com Reversos (Caminho, 1999), nomeado para a «IBBY Honour List» de 2000, De Que Cor É o Desejo? Breviário do Sol; Breviário da Água; O G é um gato enroscado; Palavra que voa; A Canção dos Piratas; Romance do 25 de Abril. Publicou ainda, entre outras, a obra: “Era uma vez outra vez”, panóplia de contos e recontos, poemas e outros textos do próprio e de outros autores a atestar o perfil de interesse didáctico da sua obra. Tem colaboração dispersa em obras colectivas, revistas e jornais.

Duas obras do João Pedro Mésseder que temos na nossa biblioteca:
Vozes do Alfabeto, de João Pedro Mésseder, reúne cerca de três dezenas de poemas. São versos preferencialmente destinados a crianças em fases iniciais de aprendizagem da leitura e da escrita, ou seja, em idade de frequentar o 1º ciclo do Ensino Básico. A cada letra corresponde um texto, por vezes dois. Se aqui o poema se assemelha a uma micro-história em verso, acolá encena um pequeno episódio burlesco; e outros há que se mantêm num registo lírico. Organizados de acordo com a ordem das letras no alfabeto (primeiro o poema centrado no A, depois no B, depois no C, e assim sucessivamente), inspiram-se no trava-línguas da tradição oral. Deste modo, a simplicidade da linguagem, ao alcance da capacidade de compreensão da criança, vê-se literariamente compensada pelo recurso à aliteração, à assonância, à anáfora, ao jogo linguístico e a outros elementos expressivos. Rimados e ritmados, facilmente memorizáveis, os textos permitem, se lidos em voz alta, activar a atenção auditiva e concorrem para o desenvolvimento da consciência fonológica, sem nunca abdicarem da dimensão lúdica e do humor que são traços distintivos deste livro, profusamente ilustrado com imagens de assinalável qualidade.



O Aquário, uma história de peixes, cores e sabores para os mais pequenos. Um aquário é também um mundo em miniatura, onde se jogam relações entre iguais e diferentes, novos e velhos, e onde se geram preconceitos e ideias feitas. As ilustrações ajudam a compreender situações e personagens, sem deixarem de construir um cenário onírico e sedutor.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A maior flor do mundo

A leitura do conto "A maior flor do mundo" de José Saramago despertou a veia artística de alguns alunos do Centro Escolar. Temos aqui apenas um exemplo, mas contamos apresentar mais trabalhos brevemente. Note-se a força das cores e a representação do movimento da pétala que cai para cobrir o menino, como se aquela flor fosse um ser com vontade própria e quase humana.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Tributo a Miguel Torga


...ouTorga é um tributo a Miguel Torga.
Trata-se de um projecto musical desenvolvido por Isabel Martinho e João Mascarenhas desde 2007, ano em que se comemorou o primeiro centenário do nascimento do poeta Adolfo Correia da Rocha – Miguel Torga (12 de Agosto de 1907 - 17 de Janeiro de 1995).
Do trabalho de composição sob dez poemas de Torga, resultou um conjunto de canções que se apresenta em concerto, dando também origem a um disco. À formação inicial – Isabel Martinho (voz), João Mascarenhas (piano) e Paulo Coelho de Castro (bateria e percussões) –, juntou-se recentemente David Estêvão (contrabaixo) na constituição de um quarteto como configuração de base do grupo.
A esta configuração de base vão-se juntando alguns amigos, provenientes de áreas distintas, no sentido de enriquecer o trabalho que pretende ser uma homenagem a Miguel Torga. Convidados: Carlos Barreto Xavier (pré - produção), Gustavo Almeida (gravação, som), Serafim Lopes (guitarra eléctrica); Rogério Pires (guitarra clássica); Daniela Maia (voz); Filipa Santos (gaita de foles); Joana Manarte (voz)
In fnac.pt

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Exposição sobre Florbela Espanca

A turma do CEF do 2º ano (Hotelaria e Restauração de Cozinha), durante esta semana, realizou diversos trabalhos no âmbito da atividade "Uma vida d'escrita" do Departamento de Línguas. Florbela Espanca foi a escritora selecionada e, além de terem feito pesquisas sobre esta autora que se suicidou muito jovem, decidiram fazer uma exposição na nossa Biblioteca com alguns dos seus mais belos poemas. Além da exposição, os alunos do CEF entregaram um pequeno folheto com os dados biográficos de Flor Bela.

Fumo

Longe de ti são ermos os caminhos,

Longe de ti não há luar nem rosas, Longe de ti há noites silenciosas, Há dias sem calor, beirais sem ninhos! *** Meus olhos são dois velhos pobrezinhos

Perdidos pelas noites invernosas...

Abertos, sonham mãos cariciosas,

Tuas mãos doces, plenas de carinhos!
***
Os dias são Outonos: choram... choram...

Há crisântemos roxos que descoram...

Há murmúrios dolentes de segredos... ***

Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!

E ele é, ó meu Amor, pelos espaços,

Fumo leve que foge entre os meus dedos!... **********************************

Florbela d'Alma da Conceição Espanca tem hoje seus versos admirados em todos os cantos do mundo, diferentemente do que aconteceu quando ainda viva, época em que foi praticamente ignorada pelos apreciadores da poesia e pelos críticos de então. Os dois livros que publicou, por sua conta, em vida, foram "O Livro das Mágoas" (1919) e "Livro de "Sóror Saudade" (1923). Às vésperas da publicação de seu livro "Charneca em Flor", em dezembro de 1930, Florbela pôs fim à sua vida. Tal ato de desespero fez com que o público se interessasse pelo livro e passasse a conhecer melhor a sua obra. Dizem os críticos que a polêmica e o encantamento de seus versos é devida à carga romântica e juvenil de seus poemas, que têm como interlocutor principal o universo masculino. Poema extraído de uma publicação fac-similar do "Livro de Sóror Saudade", editado originalmente em 1923.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

"O Anjo Branco" de José Rodrigues dos Santos- campeão de vendas


Segundo a Gradiva, editora que tem lançado todos os romances do jornalista da RTP, ‘O Anjo Branco’ vai na 11ª edição, tendo sido colocados no mercado 135 mil exemplares desde a chegada às livrarias, em 23 de Outubro. Nem todos foram vendidos, mas as últimas semanas antes do Natal permitiram que se aproximasse dos 100 mil.
José Rodrigues dos Santos reforça o estatuto de rei dos best sellers em Portugal. ‘Fúria Divina’ tinha sido o livro mais vendido em 2009, ultrapassando ‘O Símbolo Perdido’, de Dan Brown.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Janeiro, mês de nascimento de Vergílio Ferreira


Vergílio Ferreira iniciou a sua actividade literária na década de quarenta do século XX.Seduzido pela força do neorealismo, sofrerá uma sensível mudança que o tornou marginal à ideologia marxista, mas que o afastará também do catolicismo. O que essencialmente o fez mudar, como ele próprio escreveu, não foi a aspiração ao humanismo e à justiça, mas um conceito prático de justiça e de humanismo, pois que se os modos de concretização de um sonho podem sofrer correcção, não o sofreu neste caso, a aspiração que visava concretizar. Transparecia seguramente nesta mudança.O que seja esse equilíbrio ele no-lo diz, remetendo-o para o insondável e incognoscível de nós, um substrato gerado ao longo dos infinitos acidentes, encontros e desencontros e que nos surge como anterioridade radical às nossas escolhas e opções. Por isso "o impensável e o indiscutível subjaz a todo o pensar, e para lá dele, ao sentir", sendo sobre esse impensável que se nos organiza a harmonia do pensar, que ulteriormente tentamos explicar ou demonstrar com a disciplina da razão. Este é um dos temas mais recorrentes no pensamento de VF, a que já se referira na sua mais importante obra filosófica, a Invocação ao meu Corpo, ao considerar que "há duas zonas no homem que são a das origens e a da concretização, a do indizível e a do dizível, a do absoluto e a da redutibilidade".Daí a relevância do tema da "aparição", consentânea com a revelação momentânea de uma verdade que em nós se pode gerar lentamente, mas cujo momento culminante tem quase sempre o instantâneo da estrada de Damasco e a dimensão fulgurante do mistério. "O mistério e o seu alarme são o tecido de tudo", dirá em Carta ao Futuro (1957).Daí também o estatuto da arte, ao longo de toda a sua obra: o mundo da arte é o mundo da aparição, o mundo inicial. A arte será, como disse, "o arauto do impensável, ou o lugar onde se lhe vê a face, cabendo ao filósofo explicitá-la em pensamento", ou, noutra afirmação não menos explícita: "a arte inscreve no coração do homem o que a vida lhe revelou sem ele saber como, e o filósofo transpõe a notícia ao cérebro, na obsessiva e doce mania de querer ter razão", repetindo aqui uma ideia que sempre lhe foi cara: a de que a filosofia é um pobre sobejo do milagre da arte, e vem depois, já tarde, "como os corvos ao cadáver", pois que, como escreveu em Invocação ao meu Corpo, "todo o pensar é póstumo ao que se é, à aparição da verdade essencial, da revelação do originário. Por isso é que a filosofia é uma aventura perene como a arte. Cada filósofo recupera esse espanto inicial, de interrogação suspensa, degradando-a em pergunta quando lhe reponde com razões", deixando patente que a degradação a que se refere se reporta a uma filosofia de matriz racionalista.A arte não interpreta, revela; não explica, mostra o lado oculto do homem, por isso, em arte, saber é comover-se. Já em Espaço do Invisível III afirmara a mesma tese, em justificação do título: "mas se em todo o horizonte está presente um horizonte que o margina, até um horizonte final, se na mais breve palavra está o aviso do insondável, se o espaço do invisível se anuncia no do visível, é na obra de arte que mais presente e visível se nos revela o invisível".Em todo o caso, dando corpo a um pensamento de base existencialista, emerge o primado do sentir, "o essencial não é para se pensar mas para se sentir", que nos diz que "a verdade é amor", pelo que é a verdade emotiva a primeira e a última que nos liga ao mundo.Daí também um dos seus temas preferidos, o das "verdades de sangue": um autor que se admira mas que se não ama, "vai para o lado de nós, onde o sangue não circula ou é uma aguadilha", ou, como dirá em Do Mundo Original, "uma verdade só interfere na vida quando o sangue a reconhece", pelo que uma razão ajuda, mas não decide uma receptividade.E daí de novo a arte, inclusive a arte que lhe coube, que foi a da escrita, a do romance lírico, onde as coisas adquirem a sua essencialidade, a sua verdade emotiva, tornando visível o mistério.Mistério e espanto perante o estremecimento íntimo das coisas em nós. Aí a raíz da atitude lírica que integrará na sua actividade romanesca, fazendo do romance o lugar de cruzamento entre o lirismo e a reflexão filosófica de vertente existencial, na convicção, por si afirmada, de poder perfeitamente escoar em prosa a poesia que lhe coube, e com a preocupação acrescida de teorizar em ensaios múltiplos - apesar das suas invectivas contra a pobreza da razão - as questões apresentadas ficcional e literariamente.Todavia, o cântico ao homem é à sua irredutibilidade individual que tanto o afastou do estruturalismo e nele via a morte do homem, o cântico ao homem que assistiu à morte de Deus, tragicamente vivida em Manhã Submersa, e se colocou no seu altar com a força iluminadora que de si próprio descobriu irradiar, coexiste com a amarga experiência da desagregação dos valores artísticos, sociais, históricos e ideológicos. Entre todos, a morte da arte é a que assume a dimensão mais trágica, uma morte que é autodestruição, e que justifica muita da frieza que empresta aos seus últimos romances, nomeadamente em Para Sempre.Ao tema regressará em Pensar, numa comparação singela do aldeão que sempre foi: "Dar um sentido à vida. Para lho darem aos domingos, quando não trabalham, os campónios da aldeia embebedam-se e dão-se facadas. A arte do nosso tempo sabe-o e faz o mesmo". Entre os quatro grandes mitos modernos, Acção, Erotismo, Arte e Deus, foi a morte da Arte que mais o ocupou, a par da morte de Deus. A arte moderna esquecera o "mundo original", autonomizara as formas e divorciara-se do homem?Em todo o caso, o tema essencial de toda a sua obra foi certamente o da procura do sentido da existência num universo sem sentido, fazendo-o navegar no que Eduardo Lourenço chamou um "niilismo criador" e um "humanismo trágico", explorando até à exaustão o tema do "eu", ao mesmo tempo eterno e inscrito na finitude, a mesma finitude que o embrenha na temática da morte, num homem que heroicamente, e também angustiadamente, suporta o desafio da finitude."Tenho a corrupção lenta do tempo, tenho a eternidade a executar". Eis, numa breve expressão de Rápida a Sombra, a dimensão trágica do seu pensar, onde se desenrola uma intensa reflexão sobre o corpo e a morte. Há em todo o homem são um impulso para um mais daquilo que se é no presente, e que jamais se alcança, ou que se sabe jamais poder alcançar-se ("um apelo ao máximo" que vem do máximo que o homem é), num processo infindo a que só o absurdo da morte põe termo: "Na profundidade de nós, o nosso eu é eterno, e todavia é justamente o corpo que nos contesta a eternidade". Todavia, em Invocação ao meu corpo, VF pretendeu divinizar o corpo, naquele sentido em que o "homem é espírito e corpo", e por isso realiza o espírito no corpo ou é corpo espiritualizado, estando todo o homem nele "como um Deus panteista".No entanto, novo conflito deflagra entre essa exaltação divinatória, e a consciência trágica da sua corruptibilidade e da sua objectiva degradação, lançando o homem na angustiante consciência da sua "infinitude limitada", e ao mesmo tempo no plano heróico de saber que a morte o espera, devendo viver "como se ela não contasse", ou, como escreveu em Nítido Nulo: "viver a eternidade e, num momento de distracção, cortarem-la rente".
Obras
O Caminho Fica Longe, 1943; Onde Tudo Foi Morrendo, 1944; Vagão J, 1946; Mudança, 1949; A Face Sangrenta, 1953; Manhã Submersa, 1954; Carta ao Futuro 1958; Aparição, 1959; Cântico Final, 1960; da Fenomenologia a Sartre, 1962; Introdução a O Existencialismo é um Humanismo, de Jean Paul Sartre, 1962; Estrela Polar, 1962; Apelo da Noite, 1963; Alegria Breve, 1965; Do Mundo Original, 1957; Invocação ao meu corpo, 1969; André Malreaux -- Interrogação ao Destino, 1963; Espaço do Invisível, 4 volumes, 1965- 76- 77- 87; Nítido Nulo, 1971; Apenas Homens, 1972; Rápida a Sombra, 1974; Contos, 1976; Signo Sinal, 1979; Para Sempre, 1983; Até ao Fim, 1987; Pensar, 1992; Conta-Corrente, cinco volumes, 1980-1988; Carta a Sandra, 1997 (edição póstuma)Bibliografia: Eduardo Lourenço, "Vergílio Ferreira e a Geração da Utopia", em O Canto e o Signo. Existência e Literatura, Lisboa, 1993; id., "O itinerário de Vergílio Ferreira", ibidem; id. Mito e obsessão na obra de Vergílio Ferreira", ibidem; id., "Sobre Mudança" ibidem; id., "Vergílio Ferreira -- Do alarme ao júbilo" ibidem; id., "Pensar Vergílio Ferreira", ibidem; id., "Desesperadamente, alegria", ibidem; António Quadros, "Vergílio Ferreira", em Logos-Enciclopédia Luso-Brasileira de Filosofia, Lisboa-São Paulo, 1989-92; Rosa Goulart, O Romance Lírico de Vergílio Ferreira, Lisboa 1990; Eduardo Prado Coelho, "Signo Sinal, ou a resistência do invisível", em Colóquio/Letras, 54 (1980); Jacinto do Prado Coelho, "Vergílio Ferreira um estilo de narrativa à beira do intemporal", em Ao contrário de Penélope, Lisboa 1976; Maria Lúcia Dal Farra, O narrador ensimesmado, São Paulo, 1978; João Décio, Vergílio Ferreira: a ficção e o ensaio, São Paulo, 1977; Helder Godinho, O universo imaginário de Vergílio Ferreira, Lisboa, 1985; id., Estudos sobre Vergílio Ferreira, Lisboa, 1982; José Luis G. Laso, Vergílio Ferreira -- espaço simbólico e metafísico; Lisboa, 1989; Maria da Rosa Padrão, Um Escritor Apresenta-se, Lisboa, 198; José de Almeida Pavão, "Entre o neo-realismo e a problemática metafísica em Vergílio Ferreira", em Arquipélago, Série Línguas e Literaturas, IX, 1987; Alexandre Pinheiro Torres, "Entrada no universo angustiado de Vergílio Ferreira", em Romance: o mundo em equação, Lisboa, 1967.Pedro Calafate

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Lagerfeld e Eça


Karl Lagerfeld lê Eça de Queiroz
O Kaiser da Moda confessou na revista Madame Figaro que descobriu o nosso Eça. "Li o seu romance mais célebre, 'Os Maias'. Por acaso descobri depois outras obras e vou lê-las todas: 'O Primo Basílio', 'O Crime do Padre Amaro', etc. É genial!"
www.maxima.pt

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Um poema de Natal


HISTÓRIA ANTIGA

Era uma vez, lá na Judeia, um rei.
Feio bicho, de resto:
Uma cara de burro sem cabresto
E duas grandes tranças.
A gente olhava, reparava, e via
Que naquela figura não havia
Olhos de quem gosta de crianças.



E, na verdade, assim acontecia.
Porque um dia,
O malvado,
Só por ter o poder de quem é rei
Por não ter coração,
Sem mais nem menos,
Mandou matar quantos eram pequenos
Nas cidades e aldeias da Nação.



Mas,
Por acaso ou milagre, aconteceu
Que, num burrinho pela areia fora,
Fugiu
Daquelas mãos de sangue um pequenito
Que o vivo sol da vida acarinhou;
E bastou
Esse palmo de sonho
Para encher este mundo de alegria;
Para crescer, ser Deus;
E meter no inferno o tal das tranças,
Só porque ele não gostava de crianças.


Miguel Torga
Antologia PoéticaCoimbra,
Ed. do Autor, 1981

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Aniversário do nascimento de Eça de Queirós

Assinala-se hoje o aniversário do nascimento de José Maria Eça de Queirós e a Biblioteca não poderia deixar de assinalar a data, pelo que dedicou este mês ao escritor e os docentes de Língua Portuguesa abordaram, nas suas aulas, a vida e obra deste.
Pelo Prof. Carlos Reis:
Tendo nascido na Póvoa do Varzim (25 de Novembro de 1845), Eça de Queirós desenvolveu a sua vida literária entre meados dos anos 60 e 1900, quando, a 16 de Agosto, morreu em Paris. Nesse lapso temporal, Eça marcou a cena literária portuguesa com uma produção literária de alta qualidade, alguma dela deixada inédita à data da sua morte.
Formado na Coimbra romântica e boémia dos anos 60, o jovem Eça acolhe o ascendente de Antero de Quental como líder de uma geração de intelectuais abertos ao influxo de correntes estéticas e ideológicas que se projectam na vida literária desses anos e das décadas seguintes: social ismo, realismo, naturalismo, etc. (cf. "Um Génio que era um Santo", in Notas Contemporâneas). Logo depois, em Lisboa e em Évora, Eça de Queirós conhece a experiência do jornalismo (n’O Distrito de Évora, na Gazeta de Portugal, onde colabora com folhetins postumamente editados em livro, em 1903, com o título Prosas Bárbaras). A invenção (com Antero e Batalha Reis) da figura de Carlos Fradique Mendes, bem como a composição d'O Mistério da Estrada de Sintra (publicado em cartas, em 1870, no Diário de Notícias, de parceria com Ramalho Ortigão) prolongam ainda o tom e a temática romântica que caracterizam este Eça em tempo de aprendizagem literária. As Conferências do Casino (em 1871 e de novo sob o impulso motivador de Antero) representam, na vida literária de Eça de Queirós e da sua geração, um momento decisivo e de abertura a novos rumos estéticos e ideológicos: relaciona-se essa abertura com a análise e com a crítica da vida pública que As Farpas (1871-72, de novo com Ramalho) haviam iniciado, sob o signo do realismo e já mesmo do naturalismo emergentes em Portugal.
Eça de Queirós, época de O Primo BasílioFotografia, A. desc., 1878in O Primo Basílio, 2ª ed., 1878
O facto de ter saído do país, em 1872, quando parte para o seu primeiro posto consular, em Havana, não impede o romancista de fazer da crítica à vida pública do seu país um dos grandes vectores da sua obra; a verdade, porém, é que Eça se vê confrontado com a distância a que se encontra o espaço português que deveria observar e di-lo numa carta a Ramalho Ortigão, a 8 de Abril de 1878: “Convenci-me de que um artista não pode trabalhar longe do meio em que está a sua matéria artística”. As Cenas Portuguesas (ou Cenas da Vida Portuguesa) em que Eça então trabalhava acabariam por abortar, enquanto projecto de ampla crónica de costumes, envolvendo um conjunto harmonioso de narrativas. Apesar disso, o escritor consagra o fundamental da sua actividade literária, entre meados dos anos 70 e meados dos anos 80, à escrita, publicação e revisão de romances de índole realista e naturalista: O Crime do Padre Amaro (com três versões, muito distintas entre si, em 1875, 1876 e 1880), O Primo Basílio (1878) e, de certa forma ainda, A Relíquia (1887) e Os Maias (1888), este último um romance em que eclecticamente se fundem temas e valores de feição diversa. Depois disso, Eça privilegia áreas temáticas e opções narrativas nalguns casos claramente afastadas das exigências do realismo e do naturalismo: a novela O Mandarim (1880) fora um primeiro passo nesse sentido, tal como o serão depois, em registos peculiares, A Correspondência de Fradique Mendes (1900), A Ilustre Casa de Ramires (1900) e A Cidade e as Serras (1901), romance que, tal como os dois títulos anteriores, deve considerar-se semi-póstumo. Por publicar ficam tentativas em estado diverso de elaboração: A Capital, O Conde Abranhos, Alves & Cª. e A Tragédia da Rua das Flores, este último um projecto claramente abandonado pelo escritor.
No seu conjunto, a obra queirosiana exibe formas e temas muito distintos, pode dizer-se até que em constante (ainda que lenta) mutação. Essa mutação traduz não apenas um sentido agudo de insatisfação estética (patente também no facto de o escritor ter submetido muitos dos seus textos a profundos trabalhos de reescrita), mas também uma grande capacidade para intuir e até antecipar o sentido da evolução literária que no seu tempo Eça testemunhou e viveu.
Eça de Queirós na sua última residência de Neuilly - c. 1893Fot., A. desc.
Enquanto intérprete do realismo e do naturalismo, Eça tratou de cultivar um tipo de romance consideravelmente minudente, no que toca aos espaços representados e às personagens caracterizadas; entre estas, avultam os tipos sociais, emblematicamente remetendo para aspectos fundamentais da vida pública portuguesa, na segunda metade do século XIX. À medida que as referências realistas e naturalistas se vão diluindo, é a representação da vida psicológica das suas personagens que começa a estar em causa: a articulação de pontos de vista individuais, bem como o tratamento do tempo narrativo constituem domínios de investimento técnico que o romancista trabalhou com invulgar perícia; por outro lado, as histórias relatadas diversificam-se e dão lugar a diferentes estratégias narrativas: narradores de feição testemunhal (n'O Mandarim, n'A Relíquia e n'A Cidade e as Serras) alternam, então, com formas de representação próximas do relato biográfico e do testemunho epistolográfico (n'A Correspondência de Fradique Mendes).
As transformações assinaladas são indissociáveis de balizas ideológicas e periodológicas que, sem excessiva rigidez mas com inegável significado epocal, devem ser mencionadas. Deste modo, en quanto aceita os princípios do realismo e do naturalismo, Eça procura fundar a representação narrativa na observação dos cenários que privilegia; as personagens que os povoam (Luísa, Amaro, Amélia) surgem como figuras afectadas por factores educativos e hereditários que os romances tratam de pôr em evidência, de forma normalmente muito crítica. Já, contudo, a terceira versão d'O Crime do Padre Amaro abre caminho a indagações de natureza histórica e a incursões pelo simbólico. Em harmonia com estas tendências, Os Maias revelam um aprofundamento notório dessas indagações: não é possível entender o trajecto pessoal das personagens mais relevantes sem aludirmos ao devir de uma família que, ao longo do século XIX, testemunha, em várias gerações, os acontecimentos históricos, políticos e culturais que decisivamente marcam a vida pública portuguesa. Para além disso, o protagonista do romance vive o destino trágico que, pela via do incesto, conduz a família à extinção. O que permite remeter esse destino, de novo pelo eixo das ponderações simbólico-históricas, para o plano das vivências colectivas; essas vivências envolvem a geração de Eça e, mais alargadamente, o Portugal decadente do fim do séc. XIX, que é aquele que Carlos da Maia observa em Lisboa, quando por algum tempo regressa, em 1887. Por fim, este Eça é o mesmo que recupera a figura de Carlos Fradique Mendes, fazendo dele não apenas uma manifestação de dandismo, mas também a voz autónoma que valoriza o genuíno e os costumes pitorescamente portugueses, ao mesmo tempo que refuta (a exemplo do que se lerá n’A Cidade e as Serras) os excessos da civilização moderna e finissecular.
Eça de Queirós, cônsul em Paris - c. 1893Fot., A. desc.
O romance A Ilustre Casa de Ramires vem a ser, por um lado, a cedência de Eça àquilo a que chamara “o latente e culpado apetite pelo romance histórico” e, por outro lado, uma nova oportunidade para pensar ficcionalmente a História de Portugal, em tempo de profunda crise institucional, com alcance nacional (Ultimato inglês, 31 de Janeiro, iminência de bancarrota, etc.) Ao mesmo tempo, Gonçalo, protagonista d'A Ilustre Casa de Ramires, faz-se novelista de circunstância e, desse modo, projecta no romance traumas e fantasmas que eram os do próprio Eça (o receio do plágio, as dificuldades da escrita, a sedução pela Idade Média, etc.).
Refira-se ainda que a produção literária de Eça de Queirós não se limitou ao romance, mas estendeu-se também ao conto: em certos contos queirosianos (p. ex.: em Civilização), estão embrionariamente inscritos temas e acções desenvolvidas em romances. Para além disso Eça colaborou em diversas publicações periódicas ou de circunstância (jornais, revistas, almanaques); nalgumas daquelas chegou a manter uma regular actividade de cronista, na qual se surpreende o observador privilegiado e atento à vida política internacional, à evolução dos costumes, à actividade cultural, etc. Foi também por acreditar na capacidade de intervenção destes seus escritos que Eça projectou, fundou e dirigiu a Revista de Portugal (1889-1892). Apesar da vida efémera que teve, a Revista de Portugal conseguiu afirmar-se como uma das mais cultas e elegantes publicações da sua época, buscando superar, com a ajuda de vozes prestigiadas (além de Eça, Oliveira Martins, Antero de Quental, Alberto Sampaio, Moniz Barreto, Teófilo Braga, Luís de Magalhães, Rodrigues de Freitas, etc.), o clima de vencidismo a que o escritor também chegou a aderir.
Bibliografia activa: O Mistério da Estrada de Sintra (Lisboa, 1870); O Primo Basílio (Porto-Braga, 1878); O Crime do Padre Amaro (Porto-Braga, 1880); O Mandarim (Porto, 1880); A Relíquia (Porto, 1887); Os Maias (Porto, 1888); Uma Campanha Alegre (Lisboa, 1890-91); A Correspondência de Fradique Mendes (Porto, 1900); A Ilustre Casa de Ramires (Porto, 1900); A Cidade e as Serras (Porto, 1901); Contos (Porto, 1902); Prosas Bárbaras (Porto, 1903); Cartas de Inglaterra (Porto, 1905); Ecos de Paris (Porto, 1905); Cartas Familiares e Bilhetes de Paris (Porto, 1907); Notas Contemporâneas (Porto, 1909); Últimas Páginas (Porto, 1912); A Capital (Porto, 1925); O Conde d'Abranhos (Porto, 1925), Alves & Cia. (Porto, 1925); O Egipto (Porto, 1926); A Tragédia da Rua das Flores (Lisboa, 1980). A edição crítica das obras de Eça de Queirós está a ser publicada pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda desde 1992.
Bibliografia passiva: M. Sacramento, Eça de Queirós - uma estética da ironia, 2ª ed., Lisboa, Imp. Nacional-Casa da Moeda, 2002; E. Guerra da Cal, Língua e estilo de Eça de Queiroz, 4ª ed., Coimbra, Almedina, 1981; A. Machado da Rosa, Eça, discípulo de Machado?, 2ª ed., Lisboa, Ed. Presença, 1979; A. Coleman, Eça de Queirós and European Realism, New York-London, New York Univ. Press, 1980; J. Gaspar Simões, Vida e obra de Eça de Queirós, 3ª ed., Amadora, Bertrand, 1980; A. José Sarai va, As ideias de Eça de Queiroz, Lisboa, Gradiva, 2000; Carlos Reis, Estatuto e perspectivas do narrador na ficção de Eça de Queirós, 3ª ed., Coimbra, Almedina, 1984; id. e M. do Rosário Milheiro, A construção da narrativa queirosiana, Lisboa, Imp. Nacional-Casa da Moeda, 1989; id., O Essencial sobre Eça de Queirós, 2ª ed., Lisboa, Imp. Nacional-Casa da Moeda, 2005; Lucette Petit, Le champ du signe dans le roman queirosien, Paris, F. C. Gulbenkian, 1987; I. Pires de Lima, As máscaras do desengano. Para uma abordagem sociológica de "Os Maias" de Eça de Queirós, Lisboa, Caminho, 1987; Alan Freeland, O leitor e a verdade oculta. Ensaio sobre Os Maias, Lisboa, Imp. Nac.-Casa da Moeda, 1989; A. Campos Matos (coord.), Dicionário de Eça de Queiroz, 2ª ed. e suplemento, Lisboa, Caminho, 1992-2000; Fagundes Duarte, A fábrica dos textos, Lisboa, Cosmos, 1993; Carlos Reis (coord.), Eça de Queirós. 1845-1900 [documento electrónico: http://purl.pt/93], Lisboa, Bib. Nacional, 2000.
In: http://cvc.instituto-camoes.pt/figuras/equeiros.html

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

José Saramago


Este mês de Novembro, no dia 16, José Saramago cumpriria 88 anos. Cumpri-los-á, porque José Saramago continua a habitar em muitos leitores e, como alguém disse, também nos corações das pessoas, para além de na bibliotecas. Por todo o mundo se realizarão actos, dos quais iremos dando conta. Numa entrevista à agência Lusa na semana em que completaria 88 anos, Violante Saramago Matos diz que “ser filha de José Saramago é um peso enorme, uma grande honra e um grande orgulho, que tem de dosear para não se deixar afogar na sua dimensão”
http://www.josesaramago.org/

sábado, 20 de novembro de 2010

José e Pilar

Estreou na passada quinta-feira, dia 18, o documentário "José e Pilar". Este mostra o dia-a-dia do casal em Lanzarote e Lisboa, na sua casa e em viagens de trabalho por todo o mundo. «José e Pilar» é um retrato surpreendente de um autor durante o seu processo de criação e da relação de um casal empenhado em mudar o mundo ou, pelo menos, em torná-lo melhor.
«José e Pilar» revela um Saramago desconhecido, desfaz ideias feitas e prova que génio e simplicidade são compatíveis. «José e Pilar» é um olhar sobre a vida de um dos grandes criadores do século XX e a demonstração de que, como diz Saramago, «tudo pode ser contado de outra maneira».


Ficha Técnica:
Título: «José e Pilar»

Título original: «José e Pilar»

Realização: Miguel Gonçalves Mendes

Género: Documentário

País: Portugal

Ano: 2010

Duração: 90 minutos

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Chico Buarque vence prémio Portugal telecom



O romance Leite Derramado, do escritor e compositor Chico Buarque, venceu a oitava edição do Prémio Portugal Telecom de Literatura, que homenageou José Saramago, anunciaram na segunda feira os organizadores.


As obras "Outra Vida", do brasileiro Rodrigo Lacerda, e "Lar", do também brasileiro Armando Freitas Filho, ficaram, com o segundo e terceiro lugares, respectivamente.
Quarto romance de Chico Buarque, "Leite Derramado" conta a história de um velho, com mais de 100 anos, preso a um leito de hospital, de onde relata, a quem quiser ouvir, a história de sua vida.
Depois de receber o prémio, Chico Buarque disse considerar "natural" o fato de ser mais conhecido como compositor do que como escritor.
"As pessoas não me consideram um escritor, a música é muito mais popular, aparece no rádio e na televisão", salientou.
Na cerimónia, foi feita uma homenagem ao Nobel da Literatura José Saramago, falecido em Julho, cujo romance "Caim" foi retirado da lista final do galardão deste ano, por iniciativa da Fundação Saramago e da Companhia das Letras, editora do escritor no Brasil.
Antes do anúncio do prémio, apresentado pelo humorista Jô Soares, foram exibidos alguns trechos do documentário "José e Pilar", do realizador Miguel Gonçalves Mendes.
Pilar del Rio recebeu uma distinção especial a José Saramago oferecida pelos organizadores do galardão e conversou com Jô Soares sobre o documentário.
"Adorei, gostei das interpretações, está muito respeitoso, cheio de vida, de momentos concretos, a câmara foi discreta, a equipa foi muito delicada", afirmou.
Criado em 2003, o prémio distingue romances, contos, poesias, crónicas, dramaturgias e autobiografias, escritos originalmente em língua portuguesa, com primeira edição no Brasil, entre 01 de Janeiro a 31 de Dezembro de 2009.
Participaram igualmente obras com primeira edição no estrangeiro, entre 01 de Janeiro de 2006 e 31 de Dezembro de 2009, desde que tenham tido a primeira edição no Brasil em 2009.
Gonçalo M. Tavares foi o primeiro escritor português distinguido com o galardão, em 2007, com "Jerusalém".
Os outros seis finalistas deste ano foram "A passagem tensa dos corpos", de Carlos de Brito e Mello, "Avó Dezanove e o segredo do soviético", de Ondjaki, "Monodrama", de Carlito Azevedo, "O filho da mãe", de Bernardo Carvalho, "Olhos secos", Bernardo Ajzenberg, e "Pornopopéia", de Reinaldo Moraes.
Os vencedores receberam prémios de 100.000 reais (42.372 euros), 35.000 reais (14.830 euros) e 15.000 reais (6.355 euros), respectivamente, primeiro, segundo e terceiro classificados.
No ano passado, o escritor brasileiro Nuno Ramos, autor do livro "Ó", venceu o Prémio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa.
Os também autores brasileiros João Gilberto Noll, com "Acenos e Afagos", e Lourenço Mutarelli, com "A Arte de Produzir Efeito sem Causa", ficaram em segundo e terceiro lugares, respectivamente.


sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Mario Vargas Llosa- 103ª Prémio Nobel da Literatura


“Muito comovido e entusiasmado.” Assim se sentiu Vargas Llosa ao saber que era seu o Nobel da Literatura deste ano. Foram as primeiras declarações do escritor, feitas à agência de notícias peruana Andina e citadas pela Lusa.Vargas Llosa está em Manhattan, onde se encontra durante o período em que está a leccionar na Universidade de Princeton, soube o PÚBLICO na Feira do Livro de Frankfurt. "Todos os anos ele sonhava com isto e sempre lhe dissémos que era este o ano", comentava a directora de marketing da Alfaguara (do grupo Santillana), Angeles Aguilera, ao PÚBLICO.
O peruano, de 74 anos, foi distinguido "pela sua cartografia das estruturas de poder e pelas suas imagens mordazes da resistência, revolta e derrota dos indivíduos", justifica a Academia em comunicado divulgado poucos minutos após o anúncio do Nobel. As Publicações Dom Quixote, editora da maior parte da obra do escritor em Portugal, congratularam-se pela distinção em comunicado. "Depois de vários anos em que o seu nome foi sucessivamente apontado como vencedor do Nobel", lê-se, "a Academia Sueca decidiu, finalmente, premiar a obra de Vargas Llosa, conhecida e admirada em todo o mundo."Francisco José Viegas, director editorial da Quetzal, que publicará em 2011 o mais recente romance do escritor, considerou a escolha "absolutamente inesperada", isto, "tendo em conta a tradição dos últimos anos, pelo menos, ou das últimas décadas, do Nobel".
Em declarações à Lusa desde Frankfurt, onde acompanha a feira do livro da cidade alemã, Francisco José Viegas definiu Mario Vargas Llosa como um autor que "estuda o poder, estuda as formas de poder, as formas de exercício do poder e também estuda um pouco aquilo que é a memória revolucionária da América Latina”. A atribuição do Prémio Nobel da Literatura a Mario Vargas Llosa é “um grande incentivo” a todos os que se preocupam com os países onde não há democracia ou a liberdade está ameaçada”, disse o filho do escritor, Alvaro Vargas Llosa. Uma brincadeira?Entrevistado pelo canal de televisão argentino C5N, o também escritor afirmou que o seu pai pensava que era uma brincadeira quando soube que tinha sido distinguido pela Academia Sueca.
Mario Vargas Llosa, de 74 anos, “ficou na dúvida até ao último momento, quando fizeram o anúncio oficial”, disse o filho. Recordou ainda que “há muitos anos”, alguém se fez passar por um membro da academia e anunciou ao seu pai que tinha ganho o Nobel da Literatura. “Nunca mais teremos que responder à maldita pergunta porque é que não deram o Nobel da Literatura a Vargas Llosa”, comentou. De acordo com a agência de notícias France Press, o laureado dará uma conferência de imprensa hoje à tarde no Instituto Cervantes de Nova Iorque.No ano passado a distinção foi atribuída a Herta Müller. Em anos anteriores receberam também o Nobel da Literatura nomes como Jean-Marie Gustave Le Clézio (2008), Doris Lessing (2007), Orhan Pamuk (2006) ou Harold Pinter (2005). José Saramago, falecido em Junho deste ano, recebeu o Nobel em 1998, sendo o primeiro português a ser distinguido nesta categoria pela Academia Sueca.Mario Vargas Llosa recebe o 103.º Prémio Nobel da Literatura, atribuído pela primeira vez em 1901. É o 11.º autor de língua espanhola a receber a distinção, depois de laureados como Camilo Jose Cela (1989), Gabriel Garcia Marquez (1982), Pablo Neruda (1971) ou Gabriela Mistral (1945). O autor de língua espanhola que mais recentemente venceu o Nobel literário foi o mexicano Octavio Paz, em 1990. Este é o quarto Nobel atribuído este ano, depois do de Medicina (Robert G. Edwards), Física (Andre Geim e Konstantin Novoselov) e Química (Richard Heck, Ei-ichi Negishi e Akira Suzuki) . O prémio literário tem um valor monetário de cerca de um milhão de euros.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

António Mota







BIOGRAFIA

António Mota nasceu em Vilarelho, Ovil, concelho de Baião, em 16 de Julho de 1957. Foi professor do Ensino Básico.Publicou o seu primeiro livro, A Aldeia das Flores, em 1979.Com a obra O Rapaz de Louredo (1983) ganhou um prémio da Associação Portuguesa de Escritores.
Em 1990, recebeu o Prémio Gulbenkian de Literatura para Crianças e Jovens pelo seu romance Pedro Alecrim.Em 1996, ganhou o Prémio António Botto com A Casa das Bengalas.
Em 2003, a obra O Sonho de de Mariana, ganhou o Prémio Nacional de Ilustração, com ilustrações de Danuta Wojciechowska. Esta obra foi escolhida pela Associação de Professores de Português e Associação de Profissionais de Educação de Infância para o projecto "O meu brinquedo é um livro".
Em 2004, recebeu o Grande Prémio Gulbenkian de Literatura para Crianças e Jovens, na modalidade de livro ilustrado, pela obra Se eu fosse muito Magrinho. com ilustrações de André Letria.Desde 1980 tem sido solicitado a visitar escolas do Ensino Básico e Secundário, assim como bibliotecas públicas,em Portugal e outros países, fomentando deste modo o gosto pela leitura entre crianças e jovens.Colaborou com vários jornais e participou em diversas acções organizadas por Bibliotecas e Escolas Superiores de Educação.
Os seus livros estão antologiados em volumes de ensino do Português e tem obras traduzidas em Espanha e Alemanha. Tem mais de quatro dezenas de obras recomendadas pelo Plano Nacional de Leitura. Tem livros incluídos em listas de obras literárias de qualidade recomendadas pela Internatinal Youth Library de Munique Em 2008 foi agraciado com a Ordem da Instrução Pública.